RS tem 74 municípios com mais eleitores do que habitantes

Vale do Taquari aparece entre as regiões com maior número de casos, com oito cidades nessa situação, conforme levantamento que cruza dados do TSE e do IBGE.

09/09/2026

Por @ClicdoVale | contato@clicdovale.com.br
Em Política

O Rio Grande do Sul tem 74 municípios onde o número de eleitores aptos a votar é maior do que a população estimada. As cidades representam 14,9% dos 497 municípios gaúchos e estão concentradas principalmente no interior e entre localidades de pequeno porte.

O levantamento foi elaborado a partir do cruzamento dos dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) referentes a agosto de 2026 com a estimativa populacional do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), que tem como referência 1º de julho de 2025.

Juntos, os 74 municípios possuem população estimada em 173.572 habitantes, enquanto o eleitorado chega a 187.925 pessoas. São 14.353 eleitores a mais do que moradores. Em 2022, 69 cidades gaúchas estavam nessa mesma situação.

O fenômeno ocorre quase exclusivamente entre cidades pequenas. Dos 74 municípios, 73 possuem menos de 4 mil habitantes. A única exceção é Ipê, na Serra, com população estimada em 5.490 pessoas.

Vale do Taquari tem oito municípios na lista:

O Vale do Taquari aparece como a terceira região do Rio Grande do Sul com maior número de municípios onde há mais eleitores do que habitantes. São oito cidades nessa situação: Canudos do Vale, Coqueiro Baixo, Doutor Ricardo, Forquetinha, Putinga, Relvado, Santa Tereza e Vespasiano Corrêa.

As regiões Norte e Noroeste concentram 38 dos 74 casos registrados no Estado, o equivalente a 51,4% do total. A Serra aparece em seguida, com 12 municípios, e o Vale do Taquari ocupa a terceira posição, com oito.

Itati tem a maior diferença:

A maior diferença entre população e eleitorado é registrada em Itati, no Litoral Norte. O município possui 762 eleitores a mais do que habitantes e já liderava esse levantamento nas eleições de 2022.

Em outras cidades, a diferença é bem menor. Em 25 dos 74 municípios gaúchos, o número de eleitores supera a população em menos de cem pessoas.

Por que isso acontece?

Ter mais eleitores registrados do que habitantes não significa, por si só, que exista alguma irregularidade.

Isso ocorre porque o domicílio eleitoral não precisa ser obrigatoriamente o mesmo município onde a pessoa reside atualmente. A Justiça Eleitoral permite considerar vínculos familiares, afetivos, profissionais, patrimoniais, comunitários ou políticos para a definição do local onde o cidadão vota.

A situação é comum principalmente em pequenos municípios do interior. Pessoas que deixam a cidade natal para trabalhar ou estudar em centros maiores podem continuar com o título eleitoral no município de origem durante anos, especialmente quando mantêm familiares, propriedades ou outros vínculos no local.

Segundo a análise do professor e doutor em Geografia Cleder Fontana, da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), esses vínculos ajudam a explicar por que moradores que migraram continuam votando na terra natal. Em cidades pequenas, também pode existir a percepção de que o voto individual tem maior peso nas decisões políticas locais.

Outro ponto é que mudanças recentes na população podem levar algum tempo para aparecer no cadastro eleitoral. Uma pessoa pode mudar de cidade sem solicitar imediatamente a transferência do título.

Distância também pode aumentar a abstenção:

A diferença entre o local de residência e o domicílio eleitoral também pode influenciar a participação nas eleições.

Quem mora longe da cidade onde está registrado precisa retornar ao município para votar. Conforme análise do cientista político Carlos Borenstein, da Arko Advice, essa distância pode contribuir para a abstenção.

No primeiro turno das eleições de 2022, 19,79% dos eleitores do Rio Grande do Sul não compareceram às urnas.

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