Coral Familiar de Morro Azul se aproxima dos 107 anos e mantém tradição histórica viva em Paverama

Grupo da localidade de Morro Azul, no interior do município, preserva uma herança cultural centenária por meio do canto coral e da participação ativa da comunidade.

23/03/2026

Por @ClicdoVale | contato@clicdovale.com.br
Em Educação e Cultura

No interior de Paverama, na localidade de Morro Azul, o Coral Familiar de Morro Azul segue mantendo viva uma tradição que atravessa gerações.

Próximo de completar 107 anos, o grupo preserva a herança cultural deixada pelos imigrantes alemães e continua ativo com ensaios, apresentações e o tradicional encontro anual realizado no mês de novembro.

A trajetória do coral começou ainda no período de formação das comunidades da região, quando o canto coral tinha forte ligação com as igrejas. Com o passar do tempo, a prática também passou a integrar o cotidiano comunitário e, em Morro Azul, nunca deixou de existir.

O presidente e coralista, professor Flávio Nirceu Jung, destaca que o coral representa muito mais do que música, sendo também uma forma de preservar a história local.

“Quem veio da Alemanha trouxe hinários, livros e a tradição do canto coral. Isso começou nas igrejas e depois se espalhou pelas comunidades. Hoje, manter isso vivo é preservar a nossa história”, afirma.

Flávio também chama atenção para um dos desafios enfrentados atualmente pelo grupo: a renovação dos integrantes.

“A maioria dos participantes hoje tem mais de 45 anos. Os jovens participam pouco, e isso preocupa. Mesmo assim, seguimos firmes”, diz.

Além disso, a manutenção financeira também exige esforço dos coralistas. Segundo ele, o grupo já enfrentou momentos em que os próprios integrantes precisaram assumir despesas para garantir a continuidade das atividades.

“Já tivemos momentos em que os próprios coralistas bancaram despesas. Hoje contamos com alguns recursos públicos, mas ainda é difícil manter o grupo”, relata.

Desde 2015, a regência está sob responsabilidade de Ilário Staggemeier, que conduz a preparação musical do grupo. Ele explica que o trabalho começa antes mesmo dos ensaios, com a escolha das canções e a elaboração dos arranjos para cada voz.

“O trabalho começa em casa, com a escolha da música. Depois vem a construção das partituras, dividindo as vozes. É um processo que pode levar horas ou dias”, explica.

Durante os encontros, realizados geralmente duas vezes por mês, as vozes vão sendo ajustadas até que a harmonia esteja completa.

“A maior satisfação é quando tudo se alinha e conseguimos emocionar quem está ouvindo”, afirma.

A ligação com o coral também se manifesta no ambiente familiar. O coralista Elton Bauer cresceu convivendo com essa tradição e hoje segue participando ativamente do grupo.

“O coral é algo que está no sangue. É um momento de alegria, de encontro e também uma forma de manter viva a cultura dos nossos antepassados”, destaca.

Para ele, o coral também representa um espaço de bem-estar e renovação em meio à rotina.

“A gente chega muitas vezes cansado e sai renovado. O coral é uma terapia”, completa.

Mesmo diante dos desafios, o Coral Familiar de Morro Azul segue participando de encontros de corais na região e mantém viva uma das tradições mais antigas da comunidade paveramense. Próximo de chegar aos 107 anos, o grupo continua sendo símbolo de união, cultura e preservação histórica.

Em 2024 o Coral Familiar de Morro Azul, por meio da Lei Paulo Gustavo teve sua história contada por meio de um curta-metragem:

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